
A ideia da privação da comida, um regime alimentar absolutamente essencial e vigiado, está na base da concepção de vida religiosa dos tempos medievais.
Se a abundância de comida é símbolo de poder das armas, o jejum torna-se sinónimo de espiritualidade e misticismo.
Na cultura medieval, o corpo impede a elevação para Deus, segurando os homens aos desejos e pulsões que mortificavam as almas. A carne era o primeiro alimento que precisava ser afastado, porque interpretava melhor a força e a potencia dos guerreiros e, consequentemente, das guerras.
Comer para os monges significava um momento de colectividade, momentos que podiam disfrutar uma vez por dia, duas vezes nos dias festivos. O almoço, rigorosamente ao meio-dia, previa legumes e sopa de verduras, mais um terceiro prato, um rodízio em dias alternados composto de ovos, peixes, queijos e verduras.
Nos dias festivos as refeições eram duas, visto que o trabalho era maior. Vinho e pão nunca faltavam. A janta, bem simples, era baseada nos restos do almoço junto à fruta da época. De qualquer forma a carne, afastada desde o século X e substituída por peixe, ovos, legumes e queijos, tende a comparecer na metade do século seguinte, quando a presença de aristocratas entre os religiosos é mais forte.
Nos numerosos dias de festas do século XI, a carne, especialmente de porco, é presente nas refeições dos conventos e cozinhada de várias maneiras.
Após 1100 os trabalhos religiosos começaram a multiplicar-se com o aumento das áreas de terrenos que se encontravam a cargo das ordens. Isto levou o monge a afastar-se da frugalidade das refeições, dando espaço à abundância e grande variedade de comida. As cozinhas, cada vez maiores, eram um lugar de prosperidade, de felicidade e de prazer.
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